Como é feito um projeto de arquitetura? As etapas, da primeira conversa ao projeto executivo
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Como é feito um projeto de arquitetura? As etapas, da primeira conversa ao projeto executivo

24 de outubro de 2026 · 7 min de leitura
arquiteto Vinícius e Designer de interiores Diego apresentando o projeto da casa para os clientes

Numa das primeiras conversas com um casal, a gente perguntou o que lar significava pra cada um. Ele respondeu sossego. Ela respondeu aconchego.

Nenhum dos dois falou de piso, de cor ou de quantos quartos. E é por aí que um projeto de arquitetura começa aqui: pela vida que a casa vai precisar sustentar.

Um projeto de arquitetura é feito em etapas que vão do mais amplo ao mais detalhado. Primeiro a gente entende a família e o lugar. Depois desenha como a casa se organiza. Depois confere quanto ela custa. E, por fim, detalha tudo o que a obra precisa pra ser construída do jeito que foi pensada. No ANAGRAMA, essas etapas se chamam ArqTerapia, levantamento, estudo preliminar, EVF e projeto executivo. Abaixo eu explico cada uma, com o que acontece de verdade em cada uma delas.

O que acontece na primeira conversa?

A primeira etapa é a ArqTerapia, que é como a gente chama a nossa conversa de escuta antes de qualquer desenho. Ela é feita com a família, de preferência na casa onde ela mora hoje, e serve pra entender como essa família vive.

As perguntas são da vida, não da obra: o que lar significa pra cada um, o que incomoda na casa de hoje, como é um dia útil e como é o fim de semana, quem cozinha, se recebem gente, o que vão levar da casa antiga e o que não querem repetir. Como eu costumo dizer: a gente não desenha parede, a gente escuta rotina.

O que sai dessa conversa é o programa de necessidades, que é a lista dos ambientes da casa e do que cada um precisa ter. É ali que aparece, por exemplo, que a família que junta todo mundo pra jantar no fim de semana precisa de uma mesa pra dez, ou que quem costura precisa de um lugar pras duas máquinas de costura.

O que é o levantamento?

O levantamento é a etapa de conhecer o lugar com precisão: medir, fotografar e entender a situação atual do imóvel ou do terreno.

Num terreno, ele inclui o que a prefeitura permite construir. São três números principais: quanto do lote pode ser ocupado pela casa (a taxa de ocupação), quanto pode ser construído no total (o índice de aproveitamento) e quanto precisa ficar sem construção, deixando a água da chuva infiltrar (a taxa de permeabilidade). Num terreno de 570 metros quadrados que a gente estudou recentemente, por exemplo, a lei permitia ocupar até 60% do lote e exigia pelo menos 15% de área permeável. É esse tipo de número que define o tamanho possível da casa antes de qualquer desenho.

Quando falta alguma informação técnica, a gente avisa por escrito. Numa consultoria pra uma casa no campo, as curvas de nível do terreno foram desenhadas a partir do Google Earth, porque não existia o levantamento planialtimétrico (o desenho técnico do terreno, com medidas e níveis feito por topógrafo). O memorial deixou registrado que essa medição precisava ser contratada antes de construir.

O que é o estudo preliminar?

O estudo preliminar é a primeira vez que a casa ganha forma: a distribuição dos ambientes na planta, os volumes e as primeiras imagens. É a etapa em que a família mais participa, e em que mais coisa muda.

Numa casa recente, a gente levou quatro propostas de layout diferentes pra primeira reunião. A família escolheu uma. Na reunião seguinte, eles trouxeram a planta que eles mesmos tinham pensado. Juntando a nossa com a deles, a casa mudou bastante: a cozinha e a sala foram pra frente do terreno e o escritório foi pro fundo.

Noutro projeto, um apartamento, a gente fez a reunião de revisão com o projeto aberto no computador, ajustando os ambientes na hora, enquanto a família pedia. Foram três versões do estudo, cada uma trazendo os pedidos da anterior. Isso não é sinal de problema: é o estudo preliminar fazendo o trabalho dele, que é errar no papel pra não errar na obra.

Quando entra o custo?

Antes do projeto executivo, no EVF, que é o Estudo de Viabilidade Financeira. Nele, o projeto é confrontado com fornecedores reais, com cotações do caso, antes de qualquer contrato ou compra.

Ele vem nesse momento por um motivo simples: se o número não fecha, é muito mais barato mudar o desenho do que mudar a obra. O financeiro não define a arquitetura. Ele garante que ela seja possível. Por isso, na ANAGRAMA, projeto e viabilidade andam juntos na primeira fase do Método, e o EVF tem página própria explicando o que ele entrega.

O que é o projeto executivo?

O projeto executivo é o manual de lego da obra: o conjunto de desenhos e documentos com todas as medidas, todos os materiais e todas as quantidades, pra quem vai construir saber exatamente o que fazer.

Nele entram as plantas cotadas, o detalhamento da marcenaria, a posição e a altura de cada ponto de luz, de tomada e de água, e o memorial de especificações, que é o documento escrito com cada material e acabamento escolhido. Entra também a compatibilização, que é a conferência de que estrutura, elétrica, hidráulica e arquitetura não brigam entre si (a viga que não passa onde vai o cano, o ponto de luz que não cai em cima do armário).

É por causa dele que, numa cozinha que a gente acompanhou na obra, ninguém precisou decidir na hora onde ia cada tomada: o cooktop, o depurador, a geladeira e a máquina já tinham lugar e altura definidos. Na parede, só foi marcar.

Quando a obra precisa de aprovação na prefeitura, entra também o projeto legal, que é o conjunto de desenhos no formato que a prefeitura analisa pra liberar a construção. Ele é diferente do executivo: o legal é feito pra aprovar, o executivo é feito pra construir.

E depois do projeto?

Depois vem a obra. Na ANAGRAMA, ela é a segunda fase do método, a Gestão de Obras: planejamento, cronograma, fiscalização técnica e vistoria, pra que o que foi pensado chegue inteiro na realidade.

E nem toda reforma precisa de todas essas etapas. Pra transformar de um a três ambientes, sem mexer em estrutura, hidráulica ou elétrica, existe um caminho mais enxuto, que eu explico neste outro texto. E se a tua obra vai ser feita aos poucos, vale ler sobre como reformar por etapas sem virar colcha de retalhos.

Se tu ainda não sabe qual desses caminhos é o teu, a primeira conversa com a gente é a Consultoria de Direcionamento.

Perguntas frequentes

Quais são as etapas de um projeto de arquitetura?

Na ANAGRAMA são cinco: a ArqTerapia (a conversa de escuta com a família), o levantamento (medidas, fotos e o que a legislação permite), o estudo preliminar (a primeira versão da casa), o EVF (o custo conferido com fornecedores reais) e o projeto executivo (o detalhamento completo pra obra). Quando a obra precisa de aprovação, entra também o projeto legal.

O que deve conter um projeto de arquitetura?

Um projeto completo pra construir tem plantas com todas as medidas, cortes, detalhamento de marcenaria, posição de cada ponto elétrico e hidráulico, especificação de materiais e acabamentos e a compatibilização entre estrutura e instalações. Sem isso, a obra precisa decidir na hora o que deveria ter sido decidido no papel.

O projeto legal é feito pra prefeitura aprovar a construção, no formato que ela exige. O projeto executivo é feito pra obra: tem o detalhe de cada medida, material e instalação. Uma casa precisa dos dois, e um não substitui o outro.

Quanto custa um projeto de arquitetura?

Depende do escopo de cada caso, então a gente fecha o valor caso a caso, sem surpresa e sem reserva técnica. É na Consultoria de Direcionamento que a gente entende o teu caso e apresenta o caminho e o investimento.

Se esse texto te ajudou e fez sentido pra ti, pode ser que ajude alguém que tu conheça. Compartilha com ele(a).

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