Sabe aquele domingo à tarde em que você olha para o canto da sala e, de repente, sente um incômodo que não sabe bem de onde vem? O sofá parece grande demais, a iluminação te deixa meio melancólico e aquela parede descascada ou sem graça começa a gritar por atenção. É nesse momento exato que a dúvida cruel bate na porta: “Será que eu devia me mudar daqui ou será que essa casa ainda tem salvação? “
Mudar de casa dá trabalho, empacotar a vida em caixas de papelão, lidar com burocracias, corretores, a incerteza de um bairro novo. Por outro lado, continuar no mesmo lugar sentindo que o espaço já não reflete mais quem você se tornou também é sufocante.
Se você está vivendo esse dilema agora, respira. Vamos tomar um café (ou o que preferir ^^) e filosofar um pouco sobre o que realmente significa "mudar".

A filosofia das Nossas Camadas
No cinema, existe uma metáfora linda sobre o tempo. Quando um diretor quer mostrar que os personagens evoluíram, ele raramente os muda de cenário logo de cara. Em vez disso, ele muda a forma como o personagem se relaciona com o cenário atual: a luz que entra pela janela fica diferente, os objetos mudam de lugar, o espaço ganha novas texturas.
O filósofo Heráclito dizia que "nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, pois as águas não são as mesmas e o homem também não". O mesmo vale para o seu lar. A casa onde você mora hoje viu você passar por fases diferentes, celebrações, términos e recomeços. Ela guarda a sua história.
Às vezes, o seu desejo não é ir embora e abandonar essas memórias; o seu desejo real é fazer com que o seu espaço atual evolua junto com você.
A maioria das pessoas acredita que para transformar uma casa é preciso colocar tudo abaixo, quebrar paredes e viver no meio da poeira por meses. Mas a verdade que a prática no escritório me ensinou é que a alma de um ambiente muda nos detalhes estratégicos.

Os Sinais de que sua Casa ainda tem Salvação
Como saber se vale a pena investir na renovação do seu espaço atual em vez de procurar um novo CEP? Faça a si mesmo três perguntas rápidas:
- A localização ainda funciona para a sua rotina? Se o seu bairro é bom, se você gosta da vizinhança e a logística do dia a dia funciona, você já tem 70% do que precisa.
- O problema é a estrutura ou a energia do lugar? Paredes podem ganhar novas cores, a marcenaria pode ser otimizada para organizar o caos e uma iluminação bem pensada pode transformar um quarto frio em um refúgio acolhedor.
- Existe afeto nessas paredes? Se você olha para o espaço e ainda sente que ele é o seu porto seguro, ele não merece ser descartado. Ele só precisa ser redesenhado para a sua versão atual.

As Pequenas Revoluções Diárias
Nem toda mudança precisa ser um épico de três horas de duração com efeitos especiais grandiosos. Às vezes, o que você precisa é focar as energias em resolver aquele ambiente que mais dita o ritmo do seu dia. Seja o home office que precisa te inspirar a criar, ou a sala que deveria te abraçar depois de um dia exaustivo de trabalho.
Aqui no escritório, quando percebemos que um cliente ama onde mora, mas precisa urgentemente fazer as pazes com um cômodo específico, nós entramos em cena com o Anagrama Renova. A ideia não é quebrar a casa inteira, mas sim fazer um design acolhedor: repensar a luz, a disposição dos móveis, as cores e a funcionalidade daquele ambiente específico para que ele volte a fazer sentido na sua vida. É quase como dar um reboot na sua série favorita, mantendo os personagens que você ama, mas com um roteiro muito melhor.
Mudar de ar é ótimo, mas redescobrir o potencial do próprio teto é um ato de profundo afeto com a própria história.
Se você olhar para o cômodo onde está agora, o que ele precisa para voltar a ser o seu lugar favorito no mundo? ^-^